Os advogados de Christa Pike, a mulher que sobreviveu à execução no estado do Tennessee, descreveram um quadro dantesco: os braços onde autoridades tentaram injetar pentobarbital ficaram inchados, queimados e repletos de bolhas.
É que o veneno utilizado tem o mesmo efeito da soda cáustica. Duas tentativas de injetar a dose letal foram feitas, sem sucesso.
Segundo nota dos advogados, Christa sobreviveu contra todos os prognósticos, está consciente e retomou a fala na UTI para a qual foi deslocada.
Ela está no corredor da morte por conta do assassinato de uma colega, Colleen Slemmer, de 19 anos de idade, em 1995.
Christa, hoje com 50 anos, foi condenada por, junto com o namorado e um cúmplice, atrair Colleen para uma floresta, torturá-la e matá-la.
O homem responsável pelas execuções no Tennessee foi demitido.
Diante da tortura a que ela foi submetida pelo Estado, pois estava consciente durante todo o processo, um porta-voz da Anistia Internacional pediu ao governador do estado que comute a pena para prisão perpétua:
Esta é a segunda vez em menos de cinco meses que o Tennessee comete um erro grave em uma execução, sendo que Tony Carruthers passou por uma experiência semelhante em maio. O Tennessee não só possui um longo histórico de execuções malsucedidas, como suas autoridades também têm realizado execuções mantendo em segredo o processo de injeção letal. Essa demonstração extraordinária de crueldade é emblemática do porquê a pena de morte deve ser abolida imediatamente.
Pela lei, Christa não pode voltar ao corredor da morte enquanto não recuperar completamente a consciência.
Em nota, os advogados dela disseram:
Contra todas as expectativas, Christa Pike está consciente, falando e continua recebendo cuidados médicos essenciais. Apesar dos graves danos que sofreu nos braços, ela ainda está algemada e acorrentada à cama. Sua recuperação é um feito médico sem precedentes.
Os representantes dela ganharam tempo para recorrer aos tribunais, uma vez que o mandado de execução expirou horas depois da tentativa fracassada.
Tennessee terá de arcar com todos os custos de hospitalização da prisioneira.
O governador do estado, Bill Lee, suspendeu as execuções até o final do ano.
Sete jornalistas estavam presentes para testemunhar a execução da mulher na penitenciária de Nashville.
Catherine Sweeney, repórter de uma rádio pública local, contou que, como manda a lei, as cortinas da câmara da morte ficaram fechadas enquanto a equipe médica inseria o acesso venoso:
Não há um sinal que indique quando as drogas letais começam a ser administradas, mas presume-se que isso ocorra após a prisioneira proferir suas últimas palavras. É comum que o conselheiro espiritual ofereça orações e outros tipos de apoio, e que haja uma troca de palavras entre os dois. Pike falou: “Só quero dizer que vou deixar este mundo da mesma forma que passei a maior parte da minha vida: com amor”.
Os repórteres se assustaram com o fato de que a prisioneira continuou conversando com seu conselheiro espiritual mesmo depois de receber a primeira dose, que é acionada remotamente.
O conselheiro, neste caso um budista, era a única pessoa dentro da câmara ao lado da prisioneira, enquanto parentes e autoridades assistiam à distância.
A repórter disse que, quando as cortinas se fecharam pela segunda vez, para uma nova tentativa, os jornalistas ouviram o ronco de Christa Pike:
A cortina se fechou às 20h16 e ficamos ouvindo o ronco de Pike por quase 40 minutos.
De acordo com os advogados da mulher, ela sofre de um problema vascular que pode ter sido ignorado pelas autoridades. O barbitúrico vazou para o braço e lentamente provocou as queimaduras.
Os repórteres foram retirados da sala depois de cerca de uma hora — e Pike, sobrevivente, foi levada em coma para o hospital.
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