O banco norte-americano JP Morgan revisou para baixo sua projeção para a economia argentina e passou a prever uma contração de 4% no terceiro trimestre de 2026. O relatório aponta uma perda de ritmo da atividade econômica, com queda em setores como indústria e comércio, além de dificuldades na recuperação do consumo interno.
A instituição financeira reduziu sua estimativa de crescimento da Argentina em 2026 de 2,7% para 1,5%, após os novos dados sobre o desempenho econômico do país. A revisão ocorre em um momento de pressão sobre o governo de Javier Milei, que havia apresentado a estabilização econômica como uma das principais promessas de sua gestão.
O JP Morgan afirmou que a retração registrada em julho foi mais intensa do que o esperado. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a atividade econômica caiu 2,9% na comparação mensal, enquanto o resultado anual apontou recuo de 1,4%.
A política econômica adotada por Javier Milei tem sido citada por Flávio Bolsonaro como referência para sua equipe econômica.
O relatório destaca que alguns dos principais setores voltados ao mercado interno enfrentam dificuldades. A indústria apresentou queda de 4,6%, enquanto o comércio recuou 5,1% no período analisado.
Para o banco, o crescimento argentino tem ocorrido de forma desigual. Áreas como energia e mineração, voltadas principalmente para exportação, sustentam parte do desempenho econômico, mas não têm sido suficientes para impulsionar o consumo doméstico.
A instituição também cita a perda de força do crédito e o aumento da inadimplência como fatores que dificultam a retomada de setores como manufatura e construção.
A desaceleração econômica ocorre em meio à pressão sobre a renda dos argentinos. Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios indicam que 24,4% dos domicílios estavam em situação de pobreza no primeiro semestre de 2026, enquanto a pobreza atingia 32,3% da população, cerca de 15 milhões de pessoas.
A pobreza extrema alcançava 5,6% dos domicílios e 7,5% da população, equivalente a aproximadamente 3,5 milhões de argentinos.
Segundo a análise citada pelo relatório, a deterioração está relacionada à diferença entre a evolução do custo de vida e dos rendimentos. A linha da pobreza teria avançado 19,6% no período, enquanto a renda familiar per capita cresceu 11,5%.
A previsão do JP Morgan ficou abaixo das expectativas médias de economistas consultados pelo Banco Central argentino, que projetam crescimento de 2,1% em 2026.
O próprio governo Milei também reduziu suas estimativas. A gestão havia indicado crescimento de 5%, mas passou a trabalhar com projeção de 3% para 2026 e 4% para 2027.
O banco norte-americano mantém, porém, uma expectativa de crescimento de 2,5% para 2027, condicionada a uma melhora dos indicadores e à redução das diferenças entre os setores que hoje sustentam a economia argentina.
*Com informações de Telesur
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